No ambiente cartorário, recrutar os profissionais certos é fundamental para o sucesso do time. Diante disso, o que pesa mais na balança da contratação: as Hard Skills ou as Soft Skills? Afinal, o que esses termos significam na prática? No artigo a seguir, vamos explorar esses conceitos que estão em alta no mercado e entender como equilibrá-los na gestão de RH do seu cartório.
As transformações digitais, normativas e sociais dos últimos anos redefiniram o ambiente cartorário. Hoje, as serventias extrajudiciais deixaram de ser centros exclusivamente técnicos para se tornarem espaços relacionais. Nesse cenário, a gestão de pessoas assume um papel estratégico: já não basta garantir a segurança jurídica; é fundamental oferecer uma experiência de atendimento eficiente, clara e humanizada.
Dessa forma, o planejamento de recursos humanos tornou-se o pilar de sustentabilidade e evolução das serventias. Abaixo, exploramos conceitos e práticas essenciais para a construção de um RH moderno e eficaz.
O Equilíbrio entre Hard Skills e Soft Skills
No ambiente do RH cartorário, a base das competências profissionais divide-se em dois campos complementares:
- Hard Skills (habilidades técnicas): São as aptidões objetivas e mensuráveis. Incluem a formação jurídica, o domínio do Código de Normas e de sistemas de gestão (como o ACSIV), a prática na redação de atos e a constante atualização frente aos provimentos do CNJ e legislações correlatas.
- Soft Skills (habilidades comportamentais): Referem-se às capacidades subjetivas ligadas à inteligência emocional. Envolvem comunicação assertiva, empatia, ética, resiliência, espírito colaborativo e agilidade para se adaptar a mudanças.
Embora ambas sejam indispensáveis, o diferencial competitivo do cartório contemporâneo reside no equilíbrio desses atributos. Observa-se uma mudança significativa no recrutamento, pautada em um princípio do mundo corporativo que se aplica perfeitamente ao extrajudicial: “Contrata-se pelo técnico, demite-se pelo comportamental”.
Essa tendência justifica-se por três motivos principais:
- Capacitação: Conhecimentos técnicos podem ser transmitidos por meio de treinamentos e atualizações normativas.
- Essência: Atitudes comportamentais são intrínsecas aos valores e à maturidade emocional do indivíduo, exigindo muito mais tempo para serem moldadas.
- Impacto: Falhas de conduta prejudicam o clima organizacional, a produtividade interna e, principalmente, a percepção do usuário sobre o serviço prestado.
Nos cartórios, o contato com o público ocorre frequentemente em momentos sensíveis, como registros de nascimento, casamentos, divórcios ou situações de luto. Nessas situações, a forma como o atendimento é conduzido define a imagem da instituição.
Apostar na humanização permite:
- Proporcionar acolhimento em momentos delicados;
- Reduzir conflitos e retrabalhos por meio de uma comunicação objetiva;
- Tornar as informações acessíveis, evitando o uso excessivo do “juridiquês”;
- Fortalecer a confiança do cidadão na segurança do serviço.
Para consolidar essas mudanças, é necessário implementar ações práticas que estimulem o crescimento da equipe:
- Treinamentos Periódicos: Programas que unam atualizações jurídicas a técnicas de atendimento ao público.
- Feedback Estruturado: Acompanhamento individual para potencializar talentos e corrigir gargalos de desempenho.
- Cultura Organizacional: Definição clara de valores como ética, respeito e foco nas necessidades do cidadão.
- Integração entre Setores: Estímulo ao trabalho em equipe para evitar o isolamento de departamentos.
- Indicadores de Qualidade: Avaliação que considere não apenas o volume de atos praticados, mas a satisfação do usuário final.
Em suma, o RH cartorário consolidou-se como o motor da eficiência operacional. O equilíbrio entre a técnica e o comportamento deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade de sobrevivência. Ao investir em uma gestão de pessoas moderna e orientada ao ser humano, a serventia não apenas cumpre sua função legal, mas entrega um serviço de excelência pautado na agilidade, na segurança e, sobretudo, no respeito ao cidadão.
Escrito por: Lourença Maria