No próximo dia 15 de agosto é celebrado o Dia da Informática. A data faz referência a um dos grandes marcos da história da computação: o ENIAC, desenvolvido na década de 1940 e considerado um dos primeiros computadores eletrônicos de grande escala. A máquina ocupava uma sala inteira, pesava toneladas e foi criada para realizar cálculos. Décadas depois, a informática deixou os grandes laboratórios, chegou às empresas, entrou nas casas e hoje está tão presente no cotidiano que muitas vezes nem percebemos quantas tarefas dependem dela.
Nos cartórios, não foi diferente. Basta imaginar uma serventia funcionando por um dia sem computadores, internet ou sistemas para perceber o tamanho dessa transformação. Mas existe uma diferença interessante entre o início da informática e o momento atual: antes, a tecnologia chamava atenção pelo que conseguia fazer. Hoje, muitas vezes, seu melhor trabalho acontece sem ser percebido.
A tecnologia que ninguém percebe
Um sistema que preenche automaticamente uma informação já cadastrada evita uma nova digitação. Ao sinalizar que um campo obrigatório ficou vazio, permite que a correção seja feita antes da conclusão. O histórico de uma operação facilita entender o que foi realizado anteriormente, enquanto a troca de informações entre diferentes ferramentas elimina etapas que antes precisavam ser executadas manualmente.
São pequenas ações que acontecem várias vezes durante o expediente e que dificilmente alguém para para comemorar. Ninguém chega ao final do dia pensando em quantas vezes deixou de redigitar uma informação ou quantos erros foram percebidos antes de se transformarem em retrabalho.
Talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores evoluções da informática: ela deixou de ser apenas a máquina utilizada para executar uma tarefa e passou a fazer parte da própria organização do trabalho.
O que mudou na rotina dos cartórios
Quem acompanhou a informatização das serventias viu livros, fichas, máquinas de escrever e buscas exclusivamente manuais dividirem espaço, pouco a pouco, com computadores e sistemas. Depois vieram bancos de dados, certificados digitais, centrais eletrônicas, integrações e serviços realizados pela internet.
Essa transformação não aconteceu apenas na tela. Ela mudou a maneira de localizar informações, produzir documentos, realizar conferências, acompanhar atendimentos e executar diversas etapas dos serviços.
Hoje, recursos que há algumas décadas pareceriam futuristas fazem parte de um dia comum de trabalho. E a tendência é que aconteça novamente. Automação, integração entre plataformas e inteligência artificial já abrem novas possibilidades para atividades que ainda dependem de processos repetitivos ou manuais.
Nem toda tecnologia precisa aparecer
Existe uma tendência natural de associar inovação ao que é novo, impressionante ou visível. Mas, na rotina, algumas das melhores soluções são justamente aquelas que quase desaparecem.
Elas não exigem que o usuário pense na tecnologia a todo momento. Apenas tornam uma etapa mais simples, eliminam uma repetição desnecessária, organizam uma informação ou avisam quando algo merece atenção.
Isso também ajuda a separar inovação de novidade. Adotar uma ferramenta apenas porque ela é recente não significa necessariamente melhorar um processo. A tecnologia faz sentido quando resolve uma necessidade real de quem trabalha e de quem utiliza o serviço.
Conclusão
Em poucas décadas, saímos de computadores que ocupavam salas inteiras para uma realidade em que diferentes tecnologias trabalham simultaneamente durante um único atendimento.
O Dia da Informática é uma oportunidade para perceber essa evolução, inclusive aquela que acontece sem chamar atenção. Por trás de uma rotina que simplesmente funciona existem inúmeras pequenas soluções tecnológicas fazendo exatamente aquilo para o que foram criadas: facilitar o trabalho.
E talvez a melhor tecnologia seja justamente essa. Aquela que não precisa aparecer o tempo todo porque, muitas vezes, já resolveu o problema antes mesmo de alguém perceber que ele poderia acontecer.
Escrito por: Isabella Flores